
← Salão de Bailes31. Aug. · 9 Min.
Baile 14 - O nabo masculino é uma ave migratória
A ferramenta macha, não raro marginalizada nas conversas humorísticas durante as quais se discute à parva sobre estética e texto, falhando quase sempre, merece outro tipo de reconhecimento.
Se Umberto Eco fosse vivo, obrigá-lo-íamos a revisitar seu livro História do Feio com o fito de incluir um grosso — perdoem-me a brincadeira, todavia o tempo das minúcias já lá vai — capítulo sobre o pénis, o rapaz dos mil nomes. O eterno excluído da lei de rede social segundo a qual todos os corpos são bonitos, apetecíveis ao olhar e, em havendo consentimento e agenda, ao toque. Segundo estes estetas puritanos, o mundo é belo de uma ponta à outra, à excepção do nabo. O maior discriminado do século XXI, mais ainda quando não solicitado (as desculpas universais quando é a altura de oprimir). Atrever-me-ia a dizer que é este linchamento verbal de que é alvo condu-lo à disfunção eréctil e não os microplásticos, como afiança o livro Espermagedão, do qual espero a versão f´ílmica com expectativa e despojado de indumentária, supondo que o li bem. Neste episódio, ensaio a ideia que o pénis é uma ave migratória, a qual procura fazer ninho nas caixas de mensagens das influencers. Procuro pareceres esclarecidos, oriundos de estudiosos da vida selvagem, quer dizer, de biólogos e sexólogas. Eis a décima quinta dança deste vosso entrevado dançarino. Em princípio podemos encontrar-nos por aí em algumas redes quase sociais. Também comecei um blog há dias, o Penúltimo Habitat. O meu nome é Roberto Gamito e continuo com vontade de dançar.
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