Salão de Bailes

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Baile 12 - O azar é o Deus Ex Machina da vida real

Baile 12 - O azar é o Deus Ex Machina da vida real15 Aug11 min

amor, não há minutos de descanso que nos redimam após uma jornada de trabalho que nos escavaca sem oposição corpo, mente — pois a alma já está no prego há anos. prosseguindo em minúsculas, evitando acordar o deus dos inícios, chego ao microfone ou à folha cansado, sem saber quem sou, uma vez que desbaratei os passos a andar em círculos seguindo o trilho da produtividade. ajoelhar-me-ia todas as noites diante do altar do deus dos precários, caso o conhecesse. As minhas falangetas socorrem-me em momentos de maior aperto. Balbucio umas sílabas graças à tinta da caneta, leio um punhado de linhas de antanho e adormeço. nunca liguei muito à música, passei pela vida sem que me servisse de grande coisa. era-me um estorvo, preferiria estar a sós, trocando bolas com os meus pensamentos. a situação agudizou-se e dei-me conta que a uso no trabalho repetitivo com o fito de demolir cortesmente a monotonia. não logro imaginar Sísifo a sorrir, mas sou capaz de o percepcionar a cantarolar. O inferno da repetição, que de outra forma nos apresentaria a loucura de bandeja num empratamento de arregalar o olho mais exigente, pode ser adiado — por assim, arrefecido — pela música. Não há salvação por intermédio da arte, desafortunadamente. Quando muito, sofrível paliativo. Por ora, ainda não está tudo perdido. Todas as semanas tento aprender novas canções cantaroláveis no trabalho.

Cinco estrelas no Spotify se me quiserem ajudar com o podcast.

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