
← Padre Pedro Willemsens - Meditações14 sept · 33 min
O amor é criativo
<p>O amor verdadeiro nunca se acomoda. Quando ama, o coração começa a procurar caminhos, inventar soluções e fazer mais do que o mínimo. Dom Bosco percebeu a armadilha dos que queriam levá-lo ao hospício e, com inteligência e bom humor, virou a situação; São Paulo soube encontrar uma saída em meio aos fariseus e saduceus; São Pio X respondia com simplicidade espirituosa; Santa Teresa de Jesus chegou a transformar uma infestação de piolhos no convento em ocasião de oração e humor. Até nas histórias que atravessam os séculos aparece esse contraste entre força e criatividade, entre a honra da Ilíada e a habilidade de sobrevivência da Odisseia, entre quem permanece firme e quem encontra uma passagem onde parecia não existir nenhuma. A caridade possui justamente essa capacidade: "o amor é inventivo até o infinito", dizia São Vicente de Paulo. Quem ama não se contenta com pouco, deseja entregar algo belo, surpreendente e inteiro à pessoa amada.</p><p>Essa criatividade nasce primeiro de uma santa ambição. "A caridade de Cristo nos impele": quando alguém realmente importa, aceitamos complicar a própria vida, sair do habitual, preparar uma surpresa, procurar uma gráfica de última hora para fazer um álbum personalizado, criar algo especial para um sobrinho ou simplesmente dedicar tempo e inteligência para fazer alguém feliz. É assim também com Deus. A criação revela uma inventividade que ultrapassa qualquer imaginação humana, mas a Redenção vai ainda mais longe: Deus se faz homem, entrega-se na Cruz e permanece conosco na Eucaristia sob as espécies do pão e do vinho. O amor não oferece apenas uma gota quando pode entregar o vaso inteiro, como Maria de Betânia derramando o perfume. Ele se parte e se dá, como o pão na Eucaristia. Por isso, depois de uma obra feita com amor, existe aquela alegria profunda de olhar e dizer: valeu a pena, coloquei minha alma nisso.</p><p>Mas a caridade também é criativa porque presta atenção. Antes da imaginação vem o olhar capaz de perceber o que os outros não perceberam. "Onde está o teu amor, aí estarão os teus olhos." Amar significa descobrir que a pessoa diante de nós não é um figurante da nossa história, mas um mistério cheio de sonhos, dores, esperanças e necessidades concretas. São Paulo observou Atenas antes de falar no Areópago, percebeu seus altares, conheceu sua cultura e até citou seus poetas; queria encontrar a palavra certa para aquelas pessoas concretas. São Josemaria ensinava essa mesma capa