
← Padre Pedro Willemsens - Meditações12 août · 29 min
Entre a humildade e a magnanimidade
<p>Há em nós um pouco de Boromir e um pouco de Aragorn. Boromir deseja o Anel porque enxerga nele a força necessária para vencer, mas não percebe que esse mesmo poder pode corrompê-lo. Aragorn, ao contrário, possui direito ao trono e hesita diante da própria grandeza, até compreender que assumir seu lugar não é vaidade, mas dever. Suas mãos não se estendem para tomar o poder, mas para curar. Essa tensão também aparece na nossa vida: às vezes desejamos uma grandeza que Deus nunca quis para nós; outras vezes fugimos da grandeza que Ele espera de nós. A questão não é simplesmente ter ou não ambição, mas aprender a desejar aquilo que realmente merece ser desejado.</p><p>A tradição cristã ilumina essa tensão unindo duas virtudes que parecem opostas: humildade e magnanimidade. Aristóteles exaltava a grandeza de alma, a megalopsychia, e via com desconfiança a alma pequena, que recua diante das possibilidades da vida. São Tomás de Aquino mostra que a oposição não precisa existir. A humildade impede que alguém queira aquilo que está acima do que deve desejar, enquanto a magnanimidade dá força para enfrentar o medo, a preguiça e os obstáculos quando uma grande missão realmente nos chama. São Paulo encarna essa força: corre para o prêmio, enfrenta dificuldades, reivindica seus direitos quando necessário e não permite que as barreiras o transformem numa personalidade encolhida. O cristão não é chamado à mediocridade, mas a perseguir grandes coisas segundo a reta razão e com a ajuda de Deus.</p><p>Por isso é tão importante aprender a enxergar a própria vida como uma história escrita a quatro mãos, as nossas e as de Deus. Uma música pode despertar coragem; uma história como <strong>O Senhor dos Anéis</strong> pode nos lembrar que existe um reino a servir; a vida dos santos mostra homens e mulheres que aceitaram viver como protagonistas da missão recebida. Até os fundadores dos Estados Unidos alimentavam o próprio imaginário com histórias heroicas, como quando George Washington promoveu uma representação teatral sobre Catão. Se homens sonharam grande por projetos políticos e militares, quanto mais um cristão pode sonhar diante do chamado à santidade. É preciso ter força, raça, sonho e essa estranha mania de ter fé na vida, não como um protesto vitimista, mas como quem descobre que sua existência recebeu de Deus uma missão.</p><p>Esse sonho, porém, precisa permanecer com os pés fincados na verdade. A psicologia contemporânea chegou a aproximar honestidade e humildade no m